Seria um Emerson grandão? Hauhauahuaha, nada disso. Estou tratando da emersão de um dos sentimentos mais confusos que sentimos. É um sentimento de perda, derrota, de vontade de matar aquela biscate até mesmo orgulho ferido e auto estima prejudicada. E isso me trouxe de volta aqui. Até porque meus melhores textos são redigidos enquanto estou na fossa me curando de uma paixonite malsucedida. Fora disso, minha criatividade literária se esvai e eu me torno uma pessoa comum, feliz(#forçação), com objetivos próprios e pronta pra enfrentar qualquer desafio. Até eu inventar que tou a fim de alguém, só pra não ir trabalhar.
Existem alguns poucos recursos do meu intelecto que respeito tanto quanto a minha incrível capacidade de autossabotagem. Aliás, de sabotagem eu entendo. Entendo tão bem que chego a sabotar a mim mesma. Fato é que me irritam projetos bem-aventurados. Uma grande carreira secular, uma boa espiritualidade, um namoro, uma amizade: morro de preguiça de ganhar, de chegar botando pra quebrar e simplesmente... win. E se eu me levantar cedo todo dia? E se eu correr atrás? E se eu estudar a ponto de explorar todo o meu HD mental? Vou conversar com as pessoas sobre o que?
Não gosto dos bem-sucedidos. Aliás, tem coisa mais irritante do que uma pessoa na vida da qual tudo dá certo? Por que só ela, in the whole world, se forma e se casa no mesmo ano, o motivo não é gravidez? Por que só o fulano é bonito e inteligente? Por que só a cicrana é linda, faz medicina e tem um namorado demais, que podia ser frio com ela, mas lhe dá flores fora do dia dos namorados? Eu os observo, como eles não são felizes. Falam de amor, se declaram no Facebook, riem no melhor ângulo para a foto ser perfeita, mas não riem com os olhos, com o coração. Hey, sobre o que eu vou falar com os meus amigos se eu for assim!?!? Então é isso: eu consigo um emprego, faço medicina, malho, fico linda, mulherão, cabelão, viagem pra bariloche nas férias, olhos de lince, voluntária, magra, fashion... aí vai aparecer um monte de galalaus safados bons rapazes dispostos a se inscrever no processo seletivo 2015 para meu marido, e aí? E os meus amigos? E as pipocas com bacon? Nem pense! E os brigadeiros de panela? Tampouco! E as idas de busão para Mosqueiro? Nem pelo amor da Curicaca, Mosqueiro é over, legal é Salinas... Eu O-DEI-IU água salgada! Gente falsa então... e gente que tudo vai quebrar a unha? Vish! Prefiro ler, escrever, relaxar na areia escura (privilégio das ilhas perto daqui e das praias da europa), pegar vento no Forte do Castelo, comer maniçoba sem culpa, abraçar os meus amigos, dormir na casa deles, receber força.
Vejam bem, não se trata de uma rebeldia à la PSTU. É só um medinho de perder quem eu amo no meio dos meus planos malignos projetos pessoais. Quero muito alcançar meus alvos, mas não quero perder minha essência no meio do caminho. Tenho medo de virar alguma coisa ridícula que tenta esconder quem já foi, de onde veio, o que passou... Alguma coisa brega que não sabe a hora de parar de se maquiar, que vive comprando roupa porque não tem estilo, alguma coisa que se deslumbra com o que o outro tem, e não com o que o outro é. Tenho pena de ficar solteira. Tenho medo de só me relacionar por interesses físicos, financeiros e que envolvam status social; tenho pena de um dia, simplesmente, não amar mais.
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